1º de janeiro

Se me pergunta qual dia do ano é meu preferido, respondo que é o primeiro, porque o barulho dos fogos já não se ouve como no dia anterior, está tímido, longínquo, porque gosto de números ímpares e gosto do número 11, porque parece ser a folha de um caderno novo, no qual dá pena de escrever, porque provavelmente cometerei o engano de grafar o número correspondente ao ano anterior, porque é um dos únicos dias em que lá fora percebemos o que é o silêncio, porque é feriado de verdade, nada de concessões ao lucro desarvorado, porque ele é o mais próximo do final que já acabou e o mais distante do final que ainda está por vir.