Das impaciências e imposturas

Era pra ser ocasião de sorrisos fartos. Fim de semana, há quem tenha contado os dias para então estar ali. Mas no meio da fila uma senhora de maquiagem pesada exibe semblante emburrado de quem está prestes a explodir. É o que acontece. Com braços abertos e cuspindo indignação, ela se aproxima da bilheteria e dispara:

"Como é que é? A fila anda ou não anda?"

Do lado de dentro da bilheteria, a funcionária se aflige, se descabela, age com afobação, faz de tudo para atender às expectativas de quem a enxerga como equipamento autômato. Para ela, não é dia de distração.

Já na sala de cinema, a senhora de maquiagem pesada quebra o silêncio quando ainda faltam três minutos para o início do filme.

"Mas será o Benedito que esse filme nunca começa?"