Insônia

Era sempre assim, as unhas em contato com o assoalho provocavam um barulho ritmado, diminuía aos poucos e depois parava.

Todas as noites antes de dormir eu deitava de barriga pra cima e ficava olhando para o teto através do escuro. Fui constatando que, lá no andar de cima, ela dormia no mesmo horário que eu.

A primeira vez que a vi também foi a última. Eu a imaginava maior. Ali perdida entre os bagulhos da mudança, ela arfava, olhava confusa para todos os lados.

Depois comecei a sofrer de insônia. À noite tem feito um silêncio que não me deixa dormir.