O cavalete alegre

E então chegou a época em que eles se espalham por toda a cidade, por todas as cidades. Todos estão sorrindo, alguns gargalham e mostram dentes de cristal, outros exibem o sorriso contido de galã enigmático. Estão rindo do quê? Porque vão se dar bem? Estão rindo de quem? De mim, de você? Reparem: são sempre os mesmos de quatro anos atrás (ou de dois anos, dependendo da ansiedade de cada um). Se tivermos disposição ou paciência, vamos perceber que estão ficando carecas ou com os fios do cabelo mais esbranquiçados. Pelo menos o tempo, ah, o tempo, esse eles não conseguem enganar. Vários deles carregam nas costas o acúmulo de processos criminais e de improbidade administrativa. Mas o que há de mal nisso, se o sorriso deles é tão puro e sereno? A verdade é que nem todos são bem-humorados, nem todos sorriem com facilidade e, claro, por serem humanos há até os que possam sofrer de depressão e problemas do gênero. Seria mais sincero se posassem  qual o problema?  carrancudos, tristes ou sérios.  A mentira começa na foto.