À francesa

A mão agarra um punhado da barra da toalha como se buscasse amparo para o corpo enraivecido. O restaurante está cheio o suficiente para haver ali quem perceba a nuvem de mal-estar estacionada acima da mesa junto à janela. Mal os dois pratos pousam na mesa, e ela se retira, cabeça baixa, passos decididos rumo à saída. Dez minutos: um prato intacto, uma cadeira vazia e um homem isolado. Delicado, o garçom se aproxima, finge ignorar o constrangimento que rodeia o homem à sua frente e enfim se sai com a solução:

“É assim mesmo, às vezes o apetite não vem. O senhor permite que eu embale para a viagem?”

O homem aquiesce com um maneio de cabeça quase imperceptível. Ah, a experiência de vida, essa mola mestra para tudo.