No Café Favorito - Parte 1

Não lhe restam muitos dentes, se é que ainda haja algum na boca de lábios frouxos, as roupas são quase andrajos, o rosto é completamente povoado por rugas, a altura não passa do metro e meio, o que não raro provoca gritos para ter atenção. Xuxa carrega o apelido que a multidão lhe deu por zombaria maldosa e também carrega o copo de plástico dentro do qual chacoalha o amontado de moedas. E lá vem ela se esgueirando entre os fregueses, me encontra ao fundo, na extremidade do balcão. Olha para mim sem dizer nada, apenas faz tilintar as moedas. Tento negociar:

“Te pago um café igual ao meu”, digo apontando para a xícara.

Xuxa dá as costas e sai resmungando:

“Café não enche a barriga de ninguém.”