No Café Favorito - Parte 2

Jacira entra atarantada, traz preso entre os lábios um cigarro inteiro, apagado, ainda intacto. Começa a abordar os clientes, a cada um deles mostra uma moeda de um real. Ali está um paradoxo: Jacira, useira e vezeira em pedir dinheiro, agora se sai com essa de oferecer moeda a esmo. Ao que parece, tenta resolver um dilema. O cigarro na boca faz a fala sair embolada:

“Compa um fósforo pa mim?”

Ora, mas por que ela mesma não compra? Postada à frente da máquina registradora, Marlene adverte os clientes:

“Não compra, não. Não compra, não. O Luís não quer ela zanzando aqui dentro.” Marlene solta uma bufada longa e emenda: “A Jacira tá bem pior que a Xuxa.”

Jacira percebe a situação desfavorável, bate em retirada sem que sua postura demonstre qualquer indignação, o desvario tem isso de não se curvar ao repúdio, de não formar constrangimento. Apressada, mistura-se aos passantes, desaparece na direção de um destino qualquer.

Depois, saio do Café Favorito, caminho alguns metros e a vejo cruzar a rua. Brasa ardente, o cigarro já vai pela metade.