No Café Favorito - Parte 3

Cafezinho, menino? Cafezinho, menina?

É o que Ivete costuma repetir incontáveis vezes durante o expediente. Mas não hoje. Ela está de costas lavando pilhas de xícaras e pires, a cara não é boa, entre bufadas lamenta a falta da companheira de turno: estou sobrecarregada.

Enquanto isso, Jacira, ao contrário, surge com ânimo vigoroso. Avança contra a cliente que, a julgar pelo susto, não está familiarizada com aquele tipo de abordagem sempre inábil, sempre destituído da cortesia mais fácil. Não vou dar dinheiro. Jacira, ao que parece, tem aprimorado os métodos de malandragem: é pra passagem, é pra passagem. Quando ela se retira, Marlene se afasta da caixa registradora e vai até a cliente, tem uma confidência a fazer: o que ela quer é dinheiro pro cigarro.

Jacira aparece de novo, é valente, lá de fora me encara com ar confuso, depois se dirige a Marlene e pergunta: pra ele eu já pedi? Já, já sim, mente Marlene, que, marota, sorri para mim. Sem disposição para maiores averiguações, Jacira dá por encerrada a tarefa, vai embora imperturbável, a cabeça dela está livre das agruras provocadas pelo que se situa no limiar entre verdades e mentiras.

É minha vez de sair. Enquanto caminho para fora, lá do fundo uma oferta familiar me captura: Mais cafezinho, menino? Uma restituição, a devolução das coisas aos seus lugares devidos, alguns protocolos são mesmo indispensáveis.