Mais que um mês

Camisas vermelhas, bonés e calças cáqui, no peito carregam a logomarca de uma rede de fast food. É um time em intervalo, chegam às gargalhadas, daquelas impossíveis aos maiores de vinte anos. Eles se agrupam em frente ao chafariz da praça, as águas esvoaçantes servirão de fundo para uma fotografia. Pronto, já partem em retirada. Lá vai o grupo uniformizado atravessando a rua, um atrás do outro, feito Os Beatles na Abbey Road. Dali a alguns minutos cada um assumirá seu respectivo posto no maquinário da cozinha industrial, pelo dia inteiro exercitarão a rapidez de ajeitar combos. Enfim, precisam prestar contas à pressa dos nossos dias.

Mais do que qualquer foto de formatura, batizado ou casamento, o resultado daquela pose quase instantânea é coisa que me atiça a curiosidade. Veja que esses jovens tiveram uma ideia audaciosa: queriam capturar a fuga do tempo. Vá lá que já estejam acostumados a ver os seus retratos de bons funcionários periodicamente pendurados na parede. Mas aquela fotografia, registro de um intervalo efêmero numa manhã de sábado, ela haverá de durar mais que um mês, ela é pra sempre.